Testemunha de Bola não conhecia réu e já foi acusada por Edson Moreira

– O jornalista José Cleves, testemunha de defesa no Caso Eliza Samudio, foi o primeiro a entrar no plenário nesta quarta-feira (24), em depoimento à Justiça, no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Silva, apesar de estar no plenário para defender Marcos Aparecido dos Santos, o Bola – acusado de matar Eliza Samudio e ocultar o corpo dela – disse à juíza Marixa Fabiane que conheceu o réu por meio das notícias publicadas pela imprensa.

(Acompanhe no G1 a cobertura completa do julgamento do caso Eliza Samudio, com equipe de jornalistas trazendo as últimas informações, em tempo real, de dentro e de fora do Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Conheça os réus, entenda o júri popular, relembre os momentos marcantes e acesse reportagens, fotos e infográfico sobre o crime envolvendo o goleiro Bruno.)

Ele negou conhecer o goleiro Bruno; Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Wemerson Marques, Elenílson Vítor da Silva, Dayanne Rodrigues e Fernanda Castro – todos réus no caso. Disse, também, que nunca morou em Vespasiano ou Esmeraldas, sempre em Belo Horizonte.

Cleves foi chamado pela defesa porque, em 2000, foi acusado pela Polícia Civil de ter assassinado a própria mulher. Naquela época, o inquérito foi conduzido pelo delegado Edson Moreira. Perguntado pelo assistente de acusação, José Arteiro, ele disse que acompanhou a carreira de Moreira, tendo boa convivência com ele. Cleves também disse não saber de nenhum caso em que o delegado tenha agido com má-fé. Disse, apenas, saber que muitos inquéritos que ele conduziu “não deram em nada”.

Cleves contou que foi absolvido por unanimidade. A testemunha afirmou também que cinco dias antes do assassinato da mulher foi assaltado e o revólver dele foi roubado, e colocado próximo ao local do crime, dois dias depois. Segundo as investigações, foi a arma usada para matar a vítima.

Cleves disse ainda que a bala retirada do corpo da mulher não era compatível com a do revólver calibre 38 apreendido pela polícia e que o fato foi confirmado pela perícia. O jornalista falou que a perícia concluiu que o corpo da mulher havia sido retirado de um carro e colocado no local do crime, mas, no julgamento, ficou provado que não houve deslocamento do cadáver.

José Cleves contou que mesmo depois de tantos anos da morte da mulher ainda sofre com os efeitos negativos do indiciamento e do júri popular. “Isso é indescritível. Sofro com isso até hoje”, disse. Ainda com relação às notícias veiculadas pela imprensa ele disse: “Não acredito que houve dolo, acredito que houve erros”. Ele afirmou que os jornalistas apenas repetiram o que foi dito pela polícia.

No plenário, o advogado Ércio Quaresma perguntou se os assassinos da mulher da testemunha foram presos e indiciados e Cleves contou que um deles foi morto 30 dias depois do crime, e que o outro suspeito já havia morrido.

Na segunda-feira, Cleves precisou ser localizado por um oficial de Justiça. A juíza determinou que ele fosse buscado em casa e considerou a falta como “um absurdo”. Ele disse em plenário que foi obrigado a vir ao Fórum de Contagem. “Vocês não sabem o dissabor para a minha família viver tudo isso”, disse Cleves, criticando a condução coercitiva dele ao tribunal. Disse ainda que, quando os policiais chegaram à casa dele, pediu ao filho para mentir avisando que ele não estava. “Eu não estava disposto também a vir a esse julgamento”.

O assistente de acusação, José Arteiro, disse que a defesa tentava desqualificar as investigações policiais, e um dos advogados que defendem o réu, Fernando Magalhães comentou: “O depoimento tenta desqualificar a investigação. Mostra como pode ser tendenciosa uma investigação. Acho que conseguimos”.

Na tarde desta segunda-feira, o vereador Edson Moreira deve ser a próxima testemunha a depor em plenário.

Segundo dia

O segundo dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, terminou por volta das 19h35 desta terça-feira (23) após o depoimento do delegado-geral da Corregedoria de Polícia Civil – Renato Patrício Teixeira. Ele foi ouvido como testemunha de defesa. Marcos aparecido é acusado de matar e ocultar o cadáver de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Outras duas testemunhas foram ouvidas nesta terça-feira: Jaílson Alves de Oliveira, arrolado pela acusação, e o deputado estadual Durval Ângelo (PT), arrolado pela defesa.

O policial falou sobre dois procedimentos da corregedoria relativos ao delegado Edson Moreira, que conduziu as investigações do caso Eliza Samudio e hoje é vereador em Belo Horizonte. Segundo Teixeira, um dos casos seria sobre agressão e o outro sobre o pedido de R$ 2 milhões para arquivar o inquérito de Bruno. O delegado afirmou que nestes casos, não houve nenhum indiciamento contra Moreira por falta de provas.

 

Detento que afirmou ter ouvido confissão de Bola sobre morte de Eliza é ouvido. A testemunha de nome Jaílson confirmou depoimentos anteriores à polícia e à Justiça (Foto: Renata Caldeira / TJMG)

Ele também foi perguntado pela defesa sobre a morte de Sérgio Rosa Sales – primo de Bruno, que também era réu no caso – que foi investigada pela corregedoria. O delegado destacou que o motivo da morte do primo de Bruno foi esclarecido. Segundo ele, as investigações apontaram que Sérgio Rosa Sales foi morto por ter feito ‘gracejos’ à amante de um traficante.

O Ministério Público questionou o corregedor se ele sabia o motivo pelo qual Bola não havia seguido carreira como policial civil. Segundo Renato Teixeira, o motivo da exoneração da polícia mineira foi “falta de idoneidade moral”.

O depoimento de Renato Teixeira durou cerca de meia hora. A defesa pediu a dispensa do policial. Porém, a juíza consultou os jurados e como um integrante do Conselho de Sentença quis ouvi-lo, a testemunha foi mantida.

Deputado foi a 2ª testemunha do dia

Após cerca de três horas de depoimento, o deputado estadual Durval Ângelo (PT) deixou o Fórum de Contagem avaliando como “péssima” para a defesa do réu Marcos Aparecido dos Santos a sua participação no julgamento. Durval foi arrolado como testemunha pelos advogados de Bola, acusado de matar e ocultar o corpo de Eliza Samudio, a ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. O político foi o segundo a ser ouvido nesta terça-feira (23). Ele falou das 15h40 às 18h40.

“Eu prestei depoimento como testemunha de defesa, arrolado como testemunha de defesa, mas eu acho que fui uma péssima testemunha de defesa, porque eu falei todo o passado do Bola, e os casos apurados pela Comissão de Direitos Humanos. Então, acho que eu não fui uma boa testemunha. Acho que foi um tiro no pé por parte da defesa”, disse.

Três assuntos foram abordados durante mais tempo no depoimento de Durval Ângelo, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Uma audiência com Bruno na ALMG em 2011, uma visita que o político fez a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, na penitenciária também em 2011, e um crime no qual Marcos Aparecido dos Santos é réu com outros três policiais, no qual dois homens teriam sido mortos em 2008 e os corpos nunca foram encontrados.

Durval contou o que foi relatado a ele sobre o crime dos dois homens. Segundo o político, três policiais prenderam as vítimas em um carro de polícia, “atiçaram cachorros ferozes”, que dilaceram o corpo delas. “Depois fizeram micro-ondas com eles”, disse. O político falou que o nome de Bola – que seria o quarto participante – apareceu nesse caso após investigações da Delegacia de Desaparecidos e da Corregedoria da Polícia Civil e que Marcos Aparecido estava entre os indiciados.

Sobre a audiência com Bruno na ALMG, o deputado lembrou que o goleiro afirmou ser inocente. “O Bruno negou de forma peremptória que teria matado”, disse. Durval também disse que não ouviu de Bruno que Eliza havia sido assassinada por Macarrão ou a mando do amigo.

Durval Ângelo contou que esteve no presídio para conversar com Macarrão, acompanhado pela TV Assembleia. Segundo o deputado, fora das câmeras, Luiz Henrique Romão disse que “estava servindo de chacota”. O político também disse que Macarrão estaria sendo chamado de “gay” e que tinha medo de ser morto. O réu pediu ao deputado para ser trocado de pavilhão na penitenciária e falou que queria voltar para onde estava o Bruno, o “irmão dele”.

Questionado sobre o motivo pelo qual foi escolhido como testemunha de defesa, Durval disse que imagina que seja porque a defesa queira explorar contradições no inquérito. Porém, ele avaliou o trabalho da Polícia Civil como “muito bom e muito completo”.

 Testemunha de acusação

O presidiário Jaílson Alves de Oliveira, que foi ouvido como testemunha de acusação no Caso Eliza Samudio, disse, nesta terça-feira (23), que sofre ameaças “quase todos os dias”. A resposta foi dada depois de ser questionado pelo promotor de Justiça Henry Wagner sobre ameaças dentro da penitenciária. Os problemas acontecem, segundo Oliveira, desde que depôs contra o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar Eliza Samudio e ocultar o cadáver dela.

Oliveira disse que a mulher dele foi agredida por pessoas que ele não sabe dizer quem são, mas que teriam pedido que ele voltasse atrás no depoimento. “Eu fui ameaçado por policiais e minha esposa jogada no chão para que me retratasse”, disse. Segundo ele, a retratação seria sobre as declarações que deu sobre Bola e outros detentos.

Os nomes de dois policiais que, segundo o Ministério Público têm envolvimento na morte de Eliza e que não foram denunciados, foram mencionados pelo detento. Segundo Jaílson, ele foi ameaçado por “Gilson” e “Zezé”, em julho de 2012. O local da ameaça, segundo a testemunha, foi o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Belo Horizonte. Ao “Fantástico”, em 3 de março deste ano, Zezé não quis comentar denúncia de ligação com réus do caso Eliza. Na mesma data, Gilson negou envolvimento em crimes contra a ex-amante de Bruno.

Oliveira confirmou a autoria de cartas anexadas ao processo. Uma delas é de janeiro de 2013. Nela, segundo leitura do promotor, Oliveira disse ser ameaçado por detentos e policiais por ter denunciado Bola.

Durante o depoimento, a juíza Marixa Fabiane advertiu o advogado Ércio Quaresma. “Ele não está aqui sendo ouvido como réu e sim como testemunha”, disse a juíza ao pedir novamente que Quaresma respeitasse a testemunha.

Confirma depoimentos anteriores

Antes de começar a ser questionado pelo advogado de Bola, a testemunha acompanhou de forma atenta a leitura de quatro depoimentos dados à polícia e à Justiça em datas anteriores.

Oliveira confirmou o teor de todos os documentos lidos. Em um deles, mencionado pelo promotor Henry Wagner, Oliveira afirmou que Bola disse que Eliza foi queimada em pneus. As cinzas do corpo, segundo a testemunha, foram jogadas em uma lagoa.

O detento disse, em depoimento no dia 20 de novembro de 2012, durante o segundo júri do caso, que ouviu “várias vezes” Bola dizer que jogou “as cinzas de Eliza às águas”. Ele disse ainda que, ao perguntar o que Bola faria se o corpo da vítima fosse encontrado, o réu respondeu “só se os peixes falarem”. Em depoimento prestado à polícia, lido na íntegra durante aquela sessão, Oliveira falou ter ouvido a confissão de Bola sobre o crime. Essas declarações foram relembradas em plenário e sustentadas pela testemunha que repetiu a expressão “só se os peixes falarem” para se referir à dificuldade em localizar o corpo de Eliza.

Primeiro dia

A delegada Ana Maria Santos, que participou das investigações do caso na época do inquérito policial, foi ouvida por cerca de seis horas no primeiro dia do júri.

Ela afirmou que Jorge Luiz Rosa – primo do goleiro Bruno Fernandes, e adolescente na época do crime – disse em um dos depoimentos que o executor de Eliza seria branco, “patolinha”, com falhas nos dentes e responderia pelo apelido de Neném. Segundo a delegada, por medo, Jorge deu outra descrição do executor de Eliza quando ouvido no Rio de Janeiro, dizendo que era pessoa “alta e negra”. “Ele disse que o fizera porque estava com medo”, relatou a delegada. O medo, conforme ela, era do executor de Eliza.

Segundo a delegada, os olhos do primo de Bruno ficavam lacrimejando durante o depoimento. “Não raras vezes, conteve o choro ao falar do momento da execução”, disse. Ela ainda afirmou que Jorge estava tranquilo e lúcido no depoimento. “Eu reafirmo, ele [Jorge] me transmitiu muita credibilidade, ele foi bastante detalhista”. Jorge foi ouvido pela primeira vez no Rio de Janeiro e depois em Contagem, ambas na época em que o crime foi descoberto e começou a ser investigado. O primo de Bruno foi o primeiro a falar que Eliza Samudio estava morta.

O depoimento da policial também foi marcado por questionamentos de um dos advogados de Bola, Ércio Quaresma, sobre a investigação policial e o trabalho da Polícia Civil. Como o não indiciamento do policial civil aposentado José Lauriano de Assis Filho, também conhecido como Zezé, e investigado pelo Ministério Público por participação no crime. Ana Maria afirmou que os elementos não eram suficientes para indiciar Zezé. “Isso aqui foi fraude, nós vamos provar”, diz o advogado segurando o relatório do inquérito.

Vários objetos apreendidos durante a investigação foram expostos no plenário: algo parecido com um tapete, um travesseiro, facas, embalagens de produtos de higiene infantil, cheques e cartões em nome de Luiz Henrique Romão. Havia também notebooks e um envelope fechado onde estava escrito a palavra “cabelo”. Até mesmo uma arma foi mostrada. Segundo o assistente de acusação, José Arteiro, a arma e outros objetos mostrados durante o júri ficam guardados no cartório e foram expostos a pedido da defesa.

Nesta segunda-feira (22), foi formado o Conselho de Sentença. Quatro homens e três mulheres julgarão o ex-policial pelos crimes de assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – já condenado pelos crimes.

Antes disso, a juíza Marixa Fabiane indeferiu pedidos da defesa para desconsiderar a certidão de óbito de Eliza Samudio e de adiamento do julgamento pela ausência de duas testemunhas: a delegada Alessandra Wilke e de Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno.

O início dos trabalhos também foi marcado pela ausência de uma testemunha, José Cleves, que precisou ser localizada por um oficial de Justiça. A juíza determinou que ele fosse buscado em casa e considerou a falta como “um absurdo”.

G1 – Manhuaçu Notícia

Marta Aguiar

Eu, Marta Rodrigues de Aguiar nasci em: 27/08/1958, sou funcionária pública, fui a primeira presidente do Conselho de Turismo, sou escritora e acadêmica da (ACLA), Academia de Ciências Letras e Artes de Manhuaçu-MG, Possuo cursos de Organização de Eventos, Secretariado Executivo, Informática, Designer Gráfico, (CorelDraw e PhotoShop), Cursando mais uma vez Designer Gráfico na Prepara com mais duas especializações. (CorewDraw, PhotoShop, PageMaker e InDesigner). Sou Repórter e Fotógrafo, trabalhei com Devair Guimarães no Jornal das Montanhas.

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