Funcionária alertou presidente da Petrobras sobre irregularidades

– Uma reportagem do jornal Valor Econômico apresentou uma nova testemunha do escândalo de corrupção na Petrobras. É uma funcionária afastada da empresa que afirma ter informado a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, sobre irregularidades em diversos setores da companhia.

O primeiro comunicado de irregularidades foi em 2008, quando a então gerente executiva Venina Velosa da Fonseca descobriu que contratos para pequenos serviços somavam R$ 133 milhões entre janeiro e novembro daquele ano.

Segundo a reportagem do jornal Valor Econômico, era uma quantia muito maior do que os R$ 39 milhões previstos para aqueles contratos em 2008.

Venina procurou Paulo Roberto Costa, seu chefe e que, na época, era diretor da area de refino e abastecimento. Durante o encontro, de acordo com o jornal, ele apontou para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria derrubar todo mundo.

A ex- gerente encaminhou a denúncia ao então presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que instalou uma comssão para apurar o caso.

A comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. E mais: foram identificadas notas fiscais com o mesmo número em contratos de comunicação para serviços não realizados, em um total de R$ 44 milhões.

A reportagem do jornal Valor Econômico revela também que, em 2009, Venina da Fonseca pediu ajuda a Graça Foster, então diretora de gás e energia e atual presidente da Petrobras. O pedido, feito por e-mail, era para a conclusão de um texto sobre problemas indentificados na empresa.

A reportagem do Valor afirma que Venina da Fonseca constatou uma escalada de preços nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Acréscimos nos valores dos contratos, chamados aditivos, aumentaram os custos da construção para US$ 18 bilhões que, a preço de hoje, é o equivalente a R$ 48 bilhões.

Em um ofício de 4 de maio de 2009, a ex-gerente criticou a dispensa de licitação feita pelo menos quatro vezes na segunda fase da obra e diz que em várias ocasiões as empresas da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial) foram beneficiadas.

A entidade tem firmas acusadas na Operação Lava Jato, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal.

A reportagem cita ainda que Venina fez 107 solicitações de modificação de projeto, o que resultaria em uma economia de quase R$ 950 milhões nas obras da refinaria de Abreu e Lima.

Segundo o jornal, outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula para responsabilizar a empreiteiras por eventuais problemas nas obras da refinaria, e arcar com os gastos. Mas a área de serviços, comandada na época por Renato Duque, manteve os contratos no formato original, em que a Petrobras se responsabillizava pelos custos extras.

O desgaste de denunciar e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009.

Em fevereiro de 2010 foi enviada para trabalhar no escritório da Petrobras em Cingapura, na Ásia.

De acordo com o jornal, ao chegar lá, Venina recebeu um pedido para que não trabalhasse e  fizesse um curso de especialização.

Um ano e oito meses depois de ter deixado o Brasil, a geóloga Venina da Fonseca mandou um e-mail à Graça Foster. Venina escreve que do imenso orgulho que tinha da empresa passou a sentir vergonha.

Diz que técnicos brigavam por novas formas de contratação, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitação sem aparente eficiência.

No começo deste ano, como chefe do escritório em Cingapura, Venina denunciou, por e-mail, perdas financeiras também em contratos internacionais fechados pela Petrobras. Os prejuízos  foram informados ao atual diretor de abastecimento da empresa, José Carlos Cosenza, que é o resposnável pela comissão interna que apura desvios de dinheiro na empresa investigados pela Operação Lava Jato. Ela diz que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustivel em Cingapura.

Segundo a reportagem, as perdas financeiras ocorriam na comercialização de um tipo de óleo combustível usado por navios, o bunker.

O produto era comprado por um preço e revendido por valor muito maior do que o de mercado para a Petrobras. O jornal Valor Econômico informa que os negociadores não foram descredenciados, mesmo após a denúncia.

Um dia depois de ter sido afastada do cargo, há menos de um mês, Venina voltou a escrever para Graça Foster.

No e-mail, ela faz um relato do que tem vivido nos últimos sete anos. Escreve: “Desde 2008 minha vida se tornou um inferno. Me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive”.

Conta que tem toda a documentação do caso e que não ofereceu à imprensa em respeito a Petrobras, e que levou o assunto as autoridades competentes da empresa, o que foi em vão.

O Jornal da Globo teve acesso a outro e-mail enviado por Venina para Paulo Roberto Costa. Em 16 de janeiro de 2009, ela diz que prefere escrever a falar sobre o assunto por causa da emoção que ele provoca.

A mensagem é confidencial. Ela faz elogios a Paulo Roberto e demonstra gratidão: “Tendo a sorte de trabalhar com ele, saiu de uma situação de extrema pobreza e dificuldade na infância para o cargo de gerente executiva da Petrobras, atuando na diretoria de abastecimento”.

Em outro trecho, Venina fala sobre a parceria dos dois. Diz que, com o patrocinio dele e correndo atrás de grandes coisas, conseguiu apoiá-lo para grandes resultados, e ressalta que nunca foi desleal a ele.

Depois, Venina continua o e-mail em tom de desabafo: “Nos últimos tempos tenho vivido momentos difíceis. Diariamente me deparo com situações que geram um grande conflito de valores. Não vou entrar em detalhes porque sei que você sabe do que estou falando”.

No final do e-mail, Venina diz que jamais faria qualquer coisa que pudesse prejudicar Paulo Roberto, e termina com um recado: “Se for necessário falar coisas que vão contra o que você está dizendo, eu falarei. Sempre com a intenção de construir, nunca de emperrar ou de criticar”.

RESPOSTAS

Em nota sobre a reportagem do Valor Econômico, sobre os supostos prejuízos com óleo bunker, a Petrobras afirma que aprimorou os procedimentos de compra e venda com novos controles e adotou as providências cabíveis.

Segundo a empresa, a área responsável pelo controle de movimentações de auditoria de perdas de óleo combustível, não constatou irregularidades de 2012 a 2014.

Na avaliação da Petrobras, expressa na nota, esses esclarecimentos demonstram que a empresa apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na reportagem.

O Jornal da Globo tentou ouvir a presidente da Petrobras, Graça Foster, e  o diretor de abastecimento, José Carlos Cosenza, sobre as denúncias de irregularidades, mas não obteve resposta.

O advogado do ex-diretor da petrobras Paulo Roberto Costa disse que as acusações de Venina são inconsistentes e sem sentido.

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque declarou que, durante a gestão dele na diretoria de serviços, as licitações seguiam critérios técnicos e que todas as alterações contratuais deveriam ser submetidas ao departamento jurídico da companhia.

O ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, não quis comentar as denúncias.

O ex-presidente Lula não quis gravar entrevista. Em nota, o Instituto Lula afirmou que o ex-diretor da petrobras Paulo Roberto Costa disse à CPMI que jamais discutiu os desvios da Petrobras com o ex-presidente Lula ou com a presidente Dilma.

Em nota divulgada na noite de sexta-feira (12), a Petrobras informou que a ex-funcionária Venina Velosa da Fonseca foi ouvida na comissão que investigava a contratação de obras da refinaria Abreu e Lima, mas que não revelou o que está contando agora.

A Petrobras resssaltou que o resultado da investigação já foi enviado às autoridades competentes.

A nota diz ainda que Venina guardou por cinco anos o material para agora trazer a público por ter sido responsabilizada pela comissão.

A nota também diz que ela foi destituída da diretoria em Cingapura, depois de ameaçar superiores de que iria fazer denúncias, caso não fosse mantida na função.

G1 – Manhuaçu Notícia

Marta Aguiar

Eu, Marta Rodrigues de Aguiar nasci em: 27/08/1958, sou funcionária pública, fui a primeira presidente do Conselho de Turismo, sou escritora e acadêmica da (ACLA), Academia de Ciências Letras e Artes de Manhuaçu-MG, Possuo cursos de Organização de Eventos, Secretariado Executivo, Informática, Designer Gráfico, (CorelDraw e PhotoShop), Cursando mais uma vez Designer Gráfico na Prepara com mais duas especializações. (CorewDraw, PhotoShop, PageMaker e InDesigner). Sou Repórter e Fotógrafo, trabalhei com Devair Guimarães no Jornal das Montanhas.

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