Presidente da Emater prioriza agricultura familiar e prevê expansão de atividades da instituição

O engenheiro agrônomo José Ricardo Ramos Roseno, à frente da Emater, tem metas ambiciosas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar no Estado

Empossado no último mês para o cargo de presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o engenheiro agrônomo José Ricardo Ramos Roseno tem metas ambiciosas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar no Estado em sua gestão.

Além de parcerias com outros órgãos dos governos estadual e federal e com entidades ligadas aos trabalhadores rurais e do agronegócio, Ricardo Roseno, que há 18 anos é funcionário de carreira da Emater, ressalta a necessidade de universalizar a extensão a todos os municípios mineiros. A sua intenção é expandir as atividades da Emater como um todo, principalmente nos vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas.

“Nosso principal desafio é fazer com que a Emater retome o seu papel de protagonista, com atuação decisiva na melhoria da qualidade de vida das famílias mineiras e na redução das desigualdades entre pessoas e regiões”, afirma.

Aliado aos objetivos do Governo de Minas Gerais nessa área, que incluem a expansão e a qualificação da atividade agropecuária mineira,o novo presidente da instituição frisa que sua gestão será baseada na qualidade dos serviços de assistência técnica e extensão rural e na geração de resultados concretos para a sociedade, em especial para os agricultores familiares, contemplando, ainda, o conceito de sustentabilidade.

“Para tanto, implementaremos uma metodologia de assistência técnica à propriedade rural, que vai orientar o agricultor, tendo em vista a responsabilidade econômica, o ganho ambiental e também o desenvolvimento de toda a sociedade”, planeja.

Além do estímulo aos produtores rurais na adoção de novas tecnologias a fim deagregar valor aos produtos oriundos da agricultura familiar, a permanência dos jovens no campo será incentivada por meio do Projeto Transformar, priorizando a qualificação profissional, informa o presidente. “O objetivo é promover a formação crítica, cidadã e profissional dos jovens rurais, habilitando-os para a implementação de projetos produtivos, com geração de trabalho e renda”, salienta Ricardo Roseno.

Confira a seguir trechos daentrevistaconcedida pelo novo presidente da Emater-MG à Agência Minas:

Como funcionário de carreira da Emater e conhecedor das atividades da empresa, quais são os desafios a serem enfrentados nos próximos anos na sua avaliação?

Acreditamos que o grande desafio é promover a assistência técnica e extensão rural para o desenvolvimento sustentável. A Emater consolidou a metodologia de extensão rural, denominada Mexpar (Metodologia Participativa de Extensão Rural para o Desenvolvimento Sustentável), que hoje é referencial não apenas para Minas Gerais mas para todo o país. Entretanto, agora precisamos pensar com mais ênfase na sustentabilidade. Para tanto, implementaremos também uma metodologia de assistência técnica que vai orientar o agricultor tendo emvista a responsabilidade econômica, o ganho ambiental e também o desenvolvimento de toda a sociedade.

É fundamental resgatarmos o papel de orientação tecnológica de nossos colegas extensionistas, priorizando a adoção de indicadores socioeconômicos e ambientais para a adequação de propriedades rurais. Ou seja, trabalhar a organização para a gestão coletiva de projetos de desenvolvimento rural sustentável, sem perder o foco no desenvolvimento da unidade produtiva e dos agricultores familiares.

Também estamos convictos de que é necessário implementar mudanças para que a Emater retome o seu papel de protagonista com atuação decisiva na melhoria da qualidade de vida das famílias mineiras e na redução das desigualdades entre pessoas e regiões. Assim, estamos redesenhando os setores da empresa, revisando nosso planejamento estratégico, pensando na Emater não somente agora, mas daqui a 20 anos. Tambémé preciso intensificara utilização de ferramentas de gestão, que são importantes para a tomada de decisão em tempo hábil.

Que planos a nova diretoria tem para ampliar as atividades da Empresa? Quais são as áreas prioritárias?

Esta gestão será baseada na qualidade dos serviços de assistência técnica e extensão rural e na geração de resultados concretos para a sociedade, em especial para os agricultores familiares. A nossa meta é universalizar a extensão, levá-la a todos os municípios de Minas.

Estamos dispostos a negociar para que os municípios que ainda não são atendidos pela empresa passem a ser. Desenvolveremos as áreas de planejamento, técnica e de recursos humanos, como forma de fortalecer a Emater e de capacitar os profissionais que atuam para a melhoria da qualidade de vida das famílias mineiras.

Na sua avaliação, existe espaço para ampliação e fortalecimento da agricultura familiar em Minas?

Com certeza podemos fortalecer, e muito, a agricultura familiar em nosso Estado. Para tanto, é fundamental a articulação com outros órgãos e entidades do Governo de Minas, sob a premissa do trabalho em rede e a gestão para a cidadania, empreendidas pelo governador Antonio Anastasia.

Também é necessário que tenhamos um posicionamento político no âmbito federal, notadamente por meio da Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), para que o sistema brasileiro assistência técnica e extensão rural se consolide cada vez mais e para que sejam criadas novas formas de financiamento da assistência técnica pública estatal brasileira.

“Buscaremos constantemente pensar as estratégias e o papel da Emater

para a consolidação de políticas públicas e o fortalecimento

das cadeias produtivas prioritárias de Minas Gerais”

Em quais regiões a Emater precisa reforçar a atuação?

Há algumas regiões do Estado que são mais carentes, como o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Com altos índices de pobreza, as famílias ainda lutam contra a seca e a fome. Por isso, precisamos investir em programas como o Minas Sem Fome, que busca a segurança alimentar e nutricional, com redução da pobreza, resgate da cidadania e inclusão produtiva de pessoas, por meio de ações voltadas para a produção de alimentos, agregação de valor e geração de renda.

Por meio do Programa Minas Sem Fome, a população rural ou urbana, em situação de vulnerabilidade social, organizada por meio de entidades comunitárias, sem fins lucrativos e legalmente constituídas, é atendida com projetos de interesse coletivo. Entre as principais ações do programa estão a distribuição de sementes, a implantação de hortas e sistemas comunitários de abastecimento de água e a entrega de tanques de resfriamento de leite.

A Emater é responsável pela mobilização dos agricultores, compra e distribuição dos insumos e assistência técnica. Além disso, a empresa capacita os agricultores para que eles utilizem corretamente os equipamentos e produzam melhor. Dessa forma, as famílias têm mais possibilidades de obter sucesso com os projetos.

A Emater pretende fortalecer parcerias com os bancos de fomento que atuam no Estado?

Buscaremos constantemente pensar as estratégias e o papel da Emater para a consolidação de políticas públicas e o fortalecimento das cadeias produtivas prioritárias de Minas Gerais, junto com as entidades representativas como Fetaemg, Contag, Fetraf, Faemg, O cemg,e com os agentes financeiros, a exemplo do Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Também estaremos juntos com os ministérios da Pesca, do Trabalho, da Agricultura, Abastecimento e Pecuária e com os demais órgãos federais que tenham por perspectiva a promoção do desenvolvimento rural sustentável.

A cada ano o agronegócio brasileiro tem se tornado cada vez mais competitivo e profissionalizado. Nesse sentido, como a Emater pretende atuar para viabilizar o acesso dos pequenos e médios produtores rurais às novas tecnologias?

A Emater é a ponte entre a produção de conhecimento e a produção agropecuária, com os seus extensionistas levando ao produtor rural -principalmente ao pequeno produtor – meios para que ele incorpore ao seu dia a dia a evolução desenvolvida na universidade e na indústria. A empresa atua reforçando o uso de tecnologias compatíveis com o ambiente e os recursos das propriedades rurais.

E a questão da comercialização, que ainda se constitui num entrave para muitos produtores rurais, como será encarada?

A empresa investirá na agregação de valor aos produtos da agricultura familiar, como forma de assegurar a eles mais competitividade no mercado e também mais qualidade aos alimentos que vão para a mesa dos consumidores. Para isso, trabalharemos com a elaboração de projetos, captação de recursos e capacitação dos produtores em boas práticas agropecuárias e de fabricação.

E os conhecimentos que a Emater leva aos produtores também são fundamentais para assegurar uma produção com mais qualidade e valor agregado. É dever da empresa assessorar os agricultores para que eles consigam inserir seus produtos no mercado formal, cumprindo as exigências legaiscomo critérios trabalhistas, previdenciários, fiscais e ambientais e também assegurando qualidade para o consumidor.

Um bom exemplo é o café: os produtores cadastrados no Certifica Minas recebem orientações gratuitas da Emater para adequar as propriedades às normas de certificação. São cerca de 90 itensque devem ser obedecidos para se obter a aprovação, que cobra desde a adequação à legislação trabalhista até ouso correto de agrotóxicos e a rastreabilidade do produto final, o que significa identificação registrada de todo o café produzido. No final do processo, uma certificadora de reconhecimento internacional faz uma auditoria nas propriedades para aprovar as fazendas que seguiram corretamente os critérios estabelecidos. Este trabalho tem valorizado o café mineiro e oferecido maior lucro aos cafeicultores.

“A Emater é a ponte entre a produção de conhecimento

e a produção agropecuária, com os seus extensionistas

levando ao produtor rural meios para que ele incorpore

ao seu dia a dia a evolução desenvolvida na universidade e na indústria”

Quais são os planos para a área de desenvolvimento social envolvendo, principalmente, as mulheres e os jovens do meio rural?

Ainda hoje, muitos jovens brasileiros deixam o campo em busca de oportunidades na cidade, já que os centros urbanos exercem uma grande atração sobre eles, que buscam alternativas econômicas e educativas diferentes daquelas encontradas no meio rural. Como reflexo, além do envelhecimento da população rural, percebemos que as cidades também não comportam o aumento da população urbana. Outra preocupação deve-se ao fato de que nos jovens rurais está depositada a continuidade da atividade agrícola das famílias do campo, responsáveis pela capacidade produtiva do país.

Porém, para que os jovens permaneçam no campo é preciso investir no desenvolvimento da juventude rural. E esta será uma das prioridades da Emater. Para tanto, investiremos no Projeto Transformar, que incentiva a permanência do jovem rural no campo, por meio da qualificação profissional. Com este projeto, a Emater oferece capacitação a filhos e filhas de agricultores familiares, na faixa etária de 16 a 29 anos.

Os jovens frequentam cursos que utilizam um método pedagógico que alia teoria, em salas de aula, à prática na comunidade onde residem. O objetivo é promover a formação crítica, cidadã e profissional dos jovens rurais, habilitando-os para implementação de projetos produtivos, com geração de ocupação e renda. Ao final das capacitações, o jovem está apto a construir um projeto, de acordo com as próprias habilidades e a realidade em que vive, podendo se candidatar à linha de crédito Pronaf Jovem para montar o próprio negócio.

Além do programa Transformar,a Emater, em parceria com a Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego, vai implementar o programa de Inclusão Produtiva, que identifica oportunidades de negócios, priorizando jovens e mulheres. Assim, com base nos nichos de mercado, as pessoas são capacitadas e a secretaria viabiliza os investimentos para que os jovens e as mulheres possam iniciar os seus empreendimentos.

Agência Minas

Marta Aguiar

Eu, Marta Rodrigues de Aguiar nasci em: 27/08/1958, sou funcionária pública, fui a primeira presidente do Conselho de Turismo, sou escritora e acadêmica da (ACLA), Academia de Ciências Letras e Artes de Manhuaçu-MG, Possuo cursos de Organização de Eventos, Secretariado Executivo, Informática, Designer Gráfico, (CorelDraw e PhotoShop), Cursando mais uma vez Designer Gráfico na Prepara com mais duas especializações. (CorewDraw, PhotoShop, PageMaker e InDesigner). Sou Repórter e Fotógrafo, trabalhei com Devair Guimarães no Jornal das Montanhas.

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