sexta-feira, 17 de agosto de 2018
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Comida que dá câncer e exame que pode curar; entenda o processo

Marta Aguiar 16 de abril de 2018 Nacional

Retirar um tumor cancerígeno precoce do estômago ou do intestino durante uma endoscopia ou colonoscopia é realidade.

-Alertar sobre o câncer de estômago e intestino é a nova saga de um médico sul-mato-grossense. A pesquisa do profissional foi motivada após participação em um congresso na Europa e recente viagem ao Japão, país onde procedimentos de retiradas de tumores e cura em 90% dos casos durante a endoscopia e colonoscopia são defendidos há cerca de dez anos. Para o especialista Marcelo Cury, a mudança no estilo de vida é um grande passo para uma vida livre dessas doenças.

Retirar um tumor cancerígeno precoce do estômago ou do intestino durante uma endoscopia ou colonoscopia é realidade. Para alertar a população e até mesmo médicos da área o pós-doutor Marcelo Cury tem viajado o Brasil e o mundo para ministrar palestras sobre o assunto.

Em entrevista ao Campo Grande News, o sócio da clínica Scope, pesquisador e pós-doutor pela Universidade de Harvard explicou que há mais de 10 anos essas técnicas já existem, e a maioria foi criada no Japão. Ele destaca que a descoberta do câncer do aparelho digestivo precoce tem mais de 90% de chance de cura e maioria das vezes essa cura é feita durante o exame de endoscopia. “Algumas vezes a cura e feita durante os exames de endoscopia e colonoscopia. Você acha o câncer e já retira”, afirma.

Cury aponta que o câncer de estômago está diminuindo no mundo, enquanto o câncer de intestino grosso está aumentando. A diminuição é justificada com a melhora nas condições sanitárias e de alguns aspectos na alimentação. Já o aumento tem relação com a queda de consumo de bons alimentos.

“A mesma industrialização que melhorou a conservação dos alimentos e diminuiu a transmissão de bactérias também impactou de forma negativa, por exemplo, na queda no consumo de alimentos que fazem bem. A má alimentação e uso exagerado de comidas conservadas tem relação com aumento do câncer de intestino, assim como a obesidade” explica.

Qual a preocupação? – Cury afirma que o trabalho começou após participação em um congresso na Europa em que, mesmo com as taxas de diminuição do câncer gástrico no mundo inteiro, a preocupação do evento era a doença devido a dificuldade de encontrá-lo na fase inicial, ou seja, se a doença é descoberta na fase avançada mais difícil é o tratamento.

11ª Capital “mais gorda” – No início do ano Campo Grande perdeu o posto de capital brasileira com mais usuários de planos de saúde sofrendo de obesidade e excesso de peso. No entanto, embora a notícia seja boa, a população ainda tem maus hábitos alimentares. A cidade continua com o maior índice de consumo de carnes com excesso de gordura e figura entre os piores de hortaliças e frutas.

As informações constam no relatório da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) referente ao ano de 2016, divulgada no dia 15 de janeiro de 2018 pelo Governo Federal. O resultado coloca a Capital em 11º lugar no ranking nacional, o que representa melhora em relação à pesquisa de 2015.

Culpa da comida? A má alimentação não é o único fator. Segundo Cury, a medicina costuma tratar as causas como um tripé: tendência genética, estilo de vida e fatores ambientais. O médico pontua que as pessoas não podem mudar sua genética, mas podem mudar seu estilo de vida, que protege não só sistema digestivo, mas de inúmeros problemas. Além disso, recomenda que na idade certa, todos procurem seu médico.

“Antigamente não tinha como conservar comida e os conservantes da carne e, demais conservantes, são um dos fatores de risco para o câncer de estomago. Outro fator de risco é bactéria Helicobacter pylori presente no estômago, ou seja, conforme melhora as condições sanitárias e a conservação dos alimentos, diminui essa agressão ao estômago” disse.

Estimativa de casos – Dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) para biênio 2018/ 2019 estimam de 210 homens podem ser diagnosticados com câncer em MS. Os números não incluem o câncer de pele, que é o mais comum. O câncer de estômago é o quinto câncer que mais acomete homens no Estado, conforme a taxa bruta de incidência, ficando atrás de próstata, traqueia-brônquio-pulmão, cólon-reto e outras localizações no corpo.

O estudo aponta ainda que 110 mulheres podem ser diagnosticadas com o câncer de estômago em MS. Os dados não incluem o câncer de pele, que é o mais comum. O câncer de estômago é o sexto que mais acomete mulheres no Estado, conforme taxa bruta de incidência, ficando atrás de mama, outras localizações do corpo, colo do útero, traqueia-brônquio-pulmão, cólon-reto.

Pessoas que nunca tiveram registro de câncer na família só serão consideradas de médio risco para câncer de colón ou de estômago a partir dos 50 anos. O acompanhamento antes dessa idade só é feito em casos específicos.

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