domingo, 21 de Janeiro de 2018
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Historia de Manhuaçu MG

Marta Aguiar 26 de setembro de 2017 Histórias de Manhuaçu

Maygaçu é a primeira nomeação que se faz da região que posteriormente fica conhecida como sertão do Rio Manhuaçu. No início do século XIX, o desbravador Domingos Fernandes de Lana, autorizado pela curadoria dos índios, estabelece com os índios puris o comércio da ipecacuanha. Impondo-se ao gentio, Lana rompe pela matarana, desfazendo dificuldades, enfrentando as adversidades, improvisando passagens, abrindo trilhas que mais tarde se transformariam em caminhos permanentes para os mais diversos pontos.

Após alguns anos, chegam ao lugar, representando o governo provincial, o Guarda-Mor Luiz Nunes de Carvalho e o Alferes José Rodrigues de Siqueira Bueno. Constróem uma fortificação nas margens do Ribeirão de São Luiz, e organizam os primeiros estabelecimentos agrícolas. Por volta de 1830, militares ocupam terras da região por estabelecimento de sesmarias ou apossamento. Surgem conflitos entre povoadores e os habitantes naturais diante dos excessos cometidos pelos colonizadores. Forma-se então um aldeamento de índios em terras do Ribeirão São Luiz em 1843.

Por este tempo surge o sertanista Antônio Dutra de Carvalho que se estabelece nas cercanias da Cachoeira da Mata, primeira propriedade de um grande latifúndio que se formaria, cujos limites se estendiam por três léguas de largura em cada margem do Manhuaçu, por nada menos de outras três léguas de fundos. Em 1846, o sertanista aluga índios junto à curadoria e abre a primeira estrada da região. Os caminhos de carros se alongam por toda a região onde cruzam gente indômita em busca de terras e comércio. A ipeca, extraída pelos índios, é mercadoria disputada. Ativa-se a criação de suínos e os gêneros de subsistência. Inicia-se o cultivo de café. A região ganha novo impulso para seu desenvolvimento com a chegada de colonos suíços, alemães e franceses.

Toscas habitações se erguem por entre três povoados que passam a centros de convergência para os posseiros dispersos: o arraial de Santa Margarida, mais antigo, e as povoações de São Lourenço e de São Simão. O Governo Provincial, diante do progresso da região, cria, em 5 de novembro de 1877 o município do Rio Manhuaçu, destinando como sede o povoado de São Simão. É o bastante para fazer insurgir um movimento emancipacionista no arraial de São Lourenço do Manhuaçu, que reivindicava ser a sede. Organizados e reunidos em torno do Tenente-Coronel Antonio Rafael Martins de Freitas, veterano da Guerra do Paraguai, a população requer a emancipação como também introduz melhoramentos na vila, construindo um autêntico programa de obras públicas. Finalmente as autoridades estaduais se rendem à pressão e em 13 de janeiro de 1880, promulgam a lei 2.557 transferindo para a Vila de São Lourenço a sede do município de Manhuaçu. No ano seguinte lhe é concedido o foro de cidade.

Extraordinária história é contada pelo professor Sylas Agripino Heringer a respeito de Manhuaçu. Trata-se da famosa revolta de 1896, comandada pelo Coronel Serafim Tibúrcio da Costa. “Opondo-se à tenaz perseguição de que era vítima, Serafim Tibúrcio rompe à mão armada o cerco à sua residência, e mobilizando os seus incontáveis amigos expulsa da cidade todas as autoridades, dominando-a manu-militair com cerca de oitocentos homens.” Dizem outros que proclamou a República de Manhuaçu, fato registrado na capital do país por apenas um jornalista: Machado de Assis.

Veja mais fotos na Fonte:www.asminasgerais.com.br/…/ area.htm

 

Mais Historia

Emancipado em 5 de novembro 1877, Manhuaçu só passou à condição de cidade alguns anos depois. Nesse período, perdeu uma área territorial que originou mais de 70 municípios da porção leste do estado de Minas Gerais. O primeiro distrito a se emancipar foi Caratinga, em 1890, e os últimos, Reduto e Luisburgo, em 1995. Hoje o município tem 622 km² e continua sendo o maior da micro-região, além de ser pólo-econômico ,de prestação de serviços e oferecer a melhor infra-estrutura hoteleira para turismo da região Vertente do Caparaó. Atualmente, além da sede, os distritos são: Dom Corrêa, São Sebastião do Sacramento, Vila Nova, Realeza, Ponte do Silva, São Pedro do Avaí, Palmeiras do Manhuaçu e Santo Amaro de Minas, com as vilas de Palmeirinhas, Bom Jesus de Realeza.

O nome do município é originado da palavra indígena mayguaçu, que significa rio grande, numa designação dos índios, os primeiros habitantes, ao rio local.

A ocupação e o povoamento da Zona da Mata, onde está Manhuaçu, tem muita relação com os povos indígenas, mas o desenvolvimento do café, sua principal riqueza, aconteceu com grande destaque durante o Ciclo do Ouro, no Brasil Colônia. Enquanto as regiões de Ouro Preto, São João Del Rei, Mariana e Congonhas se baseavam na extração mineral, a Zona da Mata se dedicava aos produtos agrícolas, justamente para suprir a demanda dos mineradores.

Os primeiros grupos de sertanistas que chegaram às partes dos rios Pomba, Muriaé e Manhuaçu tinham como objetivo a captura dos índios para trabalharem como escravos nas fazendas da Capitania do Rio de Janeiro, além de buscas de riquezas minerais e medicinais (como a planta chamada poaia ou ipecacuanha) e, posteriormente, com a intenção de criar fazendas férteis na região.

No início do século XIX, o comércio de poaia se estabeleceu em Manhuaçu, através de Domingos Fernandes Lana que, junto com os índios, abriu caminhos para diferentes locais da área recebendo o título de desbravador do Manhuaçu.

Alguns anos mais tarde, o Guarda-Mór Luís Nunes de Carvalho e o Alferes José Rodrigues da Siqueira Bueno, vindos de Ponte Nova e Abre Campo (Manhuaçu pertenceu a Ponte Nova até 1877), implantaram as primeiras unidades de exploração agrícola, usando da mão de obra indígena.

O declínio do ciclo do Ouro intensificou o processo de ocupação da Zona da Mata. Em 1830, a pecuária começou a desdobrar-se para o interior do estado e o café foi expandindo-se. Manhuaçu foi influenciado e, já nesse período, adotou o produto como sua principal cultura. A população deixou a região aurífera e foi para as lavouras de café. Entre 1822 e 1880, a região viu seu número de habitantes saltar de 20 para 430 mil pessoas.

O café já se tornara, em 1830, o principal produto de exportação de Minas Gerais, sendo a Zona da Mata a maior produtora. Começou pela fronteira com o Rio de Janeiro e depois foi se interiorizando em Minas Gerais:

Na área que hoje corresponde a Manhuaçu, e como forma de pacificar os indígenas que lutavam bravamente contra os invasores brancos, em 1843 foi fundado um aldeamento pelo curador Nicácio Brum da Silveira, no local que hoje é o bairro Ponte da Aldeia.

Diversas fazendas foram surgindo, aumentando desta maneira o número de povoadores, que começaram a trazer suas famílias, criando gado bovino e suíno e iniciando o plantio de café. Em 1846, autorizado pelo curador do município, Antônio Dutra de Carvalho alugou alguns índios para a abertura da primeira estrada.

Três foram os fatores decisivos para a rápida expansão cafeeira: a fácil obtenção de terras adequadas ao cultivo; a abundância de escravos, dispensados da mineração; e os altos preços do café no mercado externo.

Contudo, o transporte era um grande obstáculo e aumentava os custos do café. A solução do problema veio em pouco tempo. As estradas de ferro Leopoldina Railway e Dom Pedro II alcançaram os centros comerciais da região e a produção começou a ser escoada mais rápida e facilmente.

O café criou uma enorme dependência, inclusive uma ligação maior com o Rio de Janeiro, já que era o caminho da exportação, mas foi ele também que impulsionou o crescimento urbano na segunda metade do século XIX. Nesse período foram elevados a município: Mar de Espanha (1851), Juiz de Fora e Ubá (1853), Leopoldina (1854), Muriaé (1855), Cataguases (1875), Manhuaçu (1877) e Carangola (1878).

Conforme o Diagnóstico Municipal de Manhuaçu (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais – Sebrae, 1996:14): “A parte que corresponde a Manhuaçu, entre 1860 e 1874, também foi influenciada com a chegada de imigrantes alemães, suíços e franceses, vindos da Colônia de Nova Friburgo (RJ) e do Vale do Canaã (ES)”. Na mesma época, havia três povoados, que nucleavam a população residente nas fazendas do atual Manhuaçu: Santa Margarida, São Simão e São Lourenço. Foi neste último que surgiram, em 1872, as primeiras manifestações em prol da emancipação político-administrativa. A freguesia de Manhuaçu foi criada em 1875 e instituída em 1878, enquanto o município foi criado em 5 de novembro de 1877. Sua sede inicialmente foi em São Simão (hoje Simonésia) e transferida para a Vila de São Lourenço em 1881.

Em 1905, a produção cafeeira da Zona da Mata era significativa, sendo Muriaé o maior produtor, com 1,5 milhão de arrobas. Contudo o Rio de Janeiro ainda era o maior produtor nacional, até que a hegemonia fluminense entrou em decadência e foi superada por São Paulo, que antes estava atrás de Minas Gerais. Entre os anos de 1880 e 1930, o café ganhou força na região mineira, foi nesse período em que se desenvolveu a produção de Manhuaçu:

No entanto, em 1896, a disputa pelo poder local entre dois coronéis, Serafim Tibúrcio da Costa e Frederico Antônio Dolabela, teria provocado conseqüências negativas na economia.

Após perder as eleições de modo considerado fraudulento, o Coronel Serafim Tibúrcio pegou em armas, proclamando a República de Manhuaçu, inclusive emitindo títulos de crédito em nome da Fábrica de Pilação de Café e nomeando autoridades. A polícia estadual não conseguiu superar o coronel Tibúrcio e seus homens. Com o apoio das forças federais, o levante foi derrubado e os revoltosos fugiram pelo vale do Manhuaçu até o estado do Espírito Santo.

Apesar das disputas políticas e dificuldades, no final do século XIX e início do XX, a população de Manhuaçu já dispunha do jornal O Manhuaçu (criado em 1890), da Estrada de Ferro Leopoldina (1915), da Companhia Força e Luz de Manhuaçu (1918) e do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais (1920). Ainda hoje, vários casarões dessa fase estão de pé e abrigam famílias, empresas e entidades, no trecho antigo da cidade.

Durante o último século famílias italianas e das comunidades árabes se mudaram para Manhuaçu, ampliando a diversidade iniciada com a vinda suíços, franceses e alemães.


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