domingo, 25 de junho de 2017
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Plantação de eucalipto e seus impactos no meio ambiente

Marta Aguiar 27 de novembro de 2015 Nacional

eucalipto– A partir da década de 1970, começaram a surgir estudos, teses de mestrado e doutorado, visando discutir e elucidar a questão do plantio do eucalipto que como crescente monocultura, inevitavelmente surgiram as críticas e discussões de seus efeitos benéficos e maléficos sobre a água, o ar, o solo, a biodiversidade, ou seja, o meio ambiente como um todo.
De acordo com alguns autores a maioria das formas de eucalipto não é adequada para o controle da erosão, sobretudo por gerar insuficientes resíduos orgânicos (folhas e galhos) para cobrir o solo e por interceptar pouca água da chuva. Por outro lado, por gerar barreiras de vento, o eucalipto reduz a erosão por ele causado.
De acordo com Davidson (1985) ao substituir florestas nativas por floresta plantadas, é de se esperar maior escorrimento de água e erosão do solo (uma vez que, o índice de áreas foliar do eucalipto é relativamente pequeno, fazendo com que mais água chegue ao solo).
Davidson (1985), por sua vez, afirma que alguns tipos de eucaliptos, em regiões de baixa umidade e relativa escassez de nutrientes podem ter efeitos negativos sobre a vegetação local e até mesmo sobre plantas mais jovens da mesma espécie, oriundas da competição por água e nutrientes.
Segundo a revista do BNDS, (RIO DE JANEIRO, p. 243, Dez. 2007), o impacto sobre os lençóis freáticos, de acordo com o Ipef, dependerá da localização das plantações em relação à bacia hidrográfica.
Se as plantações forem situadas em locais de maior altitude, as raízes dos eucaliptos por não ultrapassarem 2,5 m, não alcançariam os lençóis subterrâneos.
Poore e Fries (1985) afirmam que:

Quanto mais rápido o crescimento de uma árvore, maior será seu consumo de água. Estima-se que faixa de evaporação e transpiração de uma plantação de eucalipto seja equivalente a precipitações pluviométricas ao redor de 800 a 1.200 mm/ano. Lima (1990) apresenta resultados experimentais semelhantes a esse (perda de água do solo em plantações de Eucalyptus globulus, ao redor de 750 mm/ano-estimado pelo método de avaliação do balanço hídrico do solo.

2.1 TOMAR CONSCIÊNCIA DA NECESSIDADE DO DEBATE.

Se, entretanto, as florestas forem plantadas perto da bacia hidrográfica, os eucaliptos passam a consumir mais água, crescem mais rapidamente e podem gerar impactos sobre os lençóis freáticos tanto localmente como a jusante.
Davidson (1985) afirma que uma monocultura jamais será capaz de oferecer a mesma diversidade de produtos e benefícios oriundos de florestas nativas. De acordo com o autor, uma prática danosa à biodiversidade.
De acordo com Poggiani (1996) a diversidade vegetal acarreta modificação contínua na diversidade da fauna silvestre, que pode ser alterada de acordo com as fases da povoação do povoamento florestal.
Segundo Almeida (1979), é fato notório que pelas estruturas dos reflorestamentos comerciais, apresentando talhões muito extenso, com um pequeno número de espécie arbóreas, ainda que estas espécies sejam nativas, poucas espécies de aves poderão ali se adaptar, sendo as populações nominalmente pequenas.
O impacto socioeconômico ambiental, para o povo atingido pelo eucalipto, tornou se uma verdadeira tragédia. Não resta dúvida: se a criação que vem de Deus se auto sustenta pela biodiversidade, e o ser humano faz parte dela, todo projeto de monocultura é ecologicamente insustentável, economicamente e socialmente inviável e eticamente inaceitável. (FANT, Di Luciano) CPT-MG.

Davidson (1985), por sua vez, afirma que alguns tipos de eucaliptos, em regiões de baixa umidade e relativa escassez de nutrientes, podem ter efeitos negativos dos impactos ambientais gerados sobre a biodiversidade da flora. De modo geral as plantações apresentarão menor variedade de flora que as florestas nativas que substituem, e, maior variedade de flora ao substituíres pastagens, áreas com outras culturas agrícolas ou terras degradadas. (Revista do BNDS, Rio de Janeiro, v. 14, n. 28, p.235-276).
Como um grande produtor de Fumo e grão Santa Terezinha é um grande consumidor de lenha como energia e as indústrias madeireiras também utilizam a madeira para as construções de galpões para depósitos e armazenamento destes produtos.
De acordo com Pereira (2006, p. 2):

[…] Cerca de 95% da polpa de celulose produzida no Brasil é destinada ao mercado externo, sobre tudo para a União Europeia e os Estados Unidos. Nesses lugares, cerca de 80% a polpa importada do Brasil é transformada em papel higiênico e lençóis de nariz. O retorno financeiro para a Aracruz é muito alto: em 2003, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 870 milhões, o maior desde sua criação.

Com o intuito de utilizar madeiras como lenha, Empresas fumageiras e as indústrias madeireiras implantaram no fim do século passado o reflorestamento de Eucalipto para servirem de energia e matéria-prima para construções. Até aí tudo certo se não fosse à forma de como isto está acontecendo.
Sem muita preocupação de onde e como isto seria feito ou reflorestado, empresas do setor em conjunto com os Órgãos ambientais implantaram o reflorestamento em grande escala de Eucalipto.
Sendo um produto Australiano de regiões altas e secas, em nosso município seu desenvolvimento é muito mais rápido com uma alta produtividade em menos tempo de plantio. Isso acontece porque nosso solo é muito fértil e com abundancia de água em toda a região pertencente a este município. Para que este produto se desenvolva com rapidez e preciso muita água e isto ainda tem.
Só preocupou-se em produzir o eucalipto, mas não ouve a mesma preocupação com o meio ambiente. É preciso que seja feitos um trabalho de conscientização de reservas naturais nascentes e seus afluentes, não reflorestando as margens de rios e córregos, nascentes e mangues para as águas permaneçam em seu leito normal.
O Centro de documentação Eloi Ferreira da Silva-Cedefés-tem uma posição fortemente crítica em relação à monocultura do eucalipto e os programas de expansão do seu plantio, sejam eles em terras públicas ou privadas. Tal posição deriva da constatação de que, ao longo dos anos em que a monocultura do eucalipto se implantou, as consequências se revelaram desastrosas.
A expansão da monocultura de eucalipto no estado de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, vêm acontecendo às custas de sérios impactos no ecossistema, principalmente no cerrado e na mata atlântica, com a progressiva perda da biodiversidade, bem como nas comunidades tradicionais que neles vivem Quilombos, povos Indígenas, agricultores familiares, “geraiseiros”, entre outros. São milhares de famílias que foram expulsas de suas terras contribuindo para a concentração fundiária, e para a desestruturação das comunidades remanescentes.
Para se produzir o eucalipto é preciso que seja feito um estudo geológico e geográfico, utilizando assim as áreas não agricultáveis e secas, ou seja, terras que não produz alimento ou outra cultura de subsistência.
O que mais chama a atenção é que o plantio de eucalipto está sendo plantado em qualquer área sem nenhum estudo ou levantamento que o caso requer.
A mata nativa vem sendo destruída para ser reflorestada com eucalipto, pensando somente em ter e não o que ter. Cumprir leis mal estudadas ou interpretadas não pode dar certo.
Com o reflorestamento de eucalipto muita coisa se acaba ou muda, pois a fauna e a flora são diretamente afetadas. Em seu meio somente as formigas sobrevivem, animais e aves não conseguem alimento, pois eucalipto não produz fruta comestível. Não há vida animal dentro dos reflorestamentos de eucalipto, pois outra espécie de vegetação não sobrevive consorciada com ele.

2.2 HOMEM E FLORESTA DEVEM VIVER EM HARMONIA.

Sem um estudo sobre o assunto e um planejamento adequado houve um desequilibro ecológico. Estamos acompanhando um triste e doloroso fim de nossas florestas nativas e consequentemente a fauna e a flora. É muito triste.
Com o plantio de eucalipto, acaba a cadeia alimentar entre mata nativa, insetos, animais de pequeno e grande porte, aves de várias espécies que ali viviam, morreram ou migraram por não ter onde fazerem seus ninho e criarem seus filhotes. Faltam comidas e água em seu habitat natural. Há casos também de incêndio criminal. “Acaba virando uma floresta canadense com objetivo único de comercialização”, avalia o chefe do Ibama em Rio do Sul, Bruno Barbosa.
Segundo Barbosa, em Santa Terezinha, com o anúncio da ampliação da área de Relevância Ecológica da Serra da Abelha, o desmatamento aumentou consideravelmente.

A agilidade na fiscalização da operação vai evitar cenas como as verificadas pelos fiscais em setembro do ano passado em Santa Terezinha SC. Are de 156,7 hectares, na localidade de Colorado, foi devastada e incendiada. Crime em área equivalente a 96 campos de futebol. Os proprietários foram multados em RS 300 mil reais e respondem por crime ambiental. (A NOTICIA, 13-fev 2007).

Santa Terezinha, lugar rico em reservas ambientais naturais e grande potencial econômico futuro devido a grande concentração de água potável, poderá tornar-se em um verdadeiro deserto a curto prazo, se não forem tomadas a providências necessárias o mais rápido possível, no sentido de controlar o desmatamento de grandes áreas de matas nativas para serem reflorestadas.
O que é condenável aqui não é o plantio do eucalipto em si, mas a forma deste plantio que ao invés de ser plantado em terra secas ou improdutivas este reflorestamento é feito em terras produtivas de cultura de subsistência, próximo aos córregos e rios nascentes, sem mesmo respeitar até a mata nativa que por sua vez é derrubada desordenadamente para reflorestar em seguida com o eucalipto. Empresas do setor e até mesmo, órgãos ambientais entram na imprudência visando somente o plantio dizendo que: desde que seja plantado para consumo está de bom tamanho.
A especulação do valor cobrado pelo metro de lenha como combustível é realmente absurdamente altíssimo como forma de pressão para que os usuários façam seus reflorestamentos mesmo que estes não possuam local adequado para tal cultura. Os rios estão sendo poluídos com resíduos do eucalipto.
Animais selvagens estão morrendo de fome, as aves estão migrando para os locais de fácil captura e assim desaparecendo e modificando completamente a biodiversidade, pois não existem alimento nem vida própria dentro dos reflorestamentos do eucalipto.
“Falamos que o caçador matou a caça e por isso os animais selvagens estão em extinção”. Que mentira! Por motivos econômicos, empresas multinacionais, tiveram a ousadia de destruir a mata nativa onde havia vida silvestre, repovoando com uma única espécie ou a pior espécie de árvore. “O EUCALÍPTO”.
Em áreas de plantações de eucaliptos não há vida selvagem por um motivo muito simples. Faltam alimentos tais como: flores, frutos, folhas, brotos, etc. E aí até o homem que fazia parte do controle biológico, utilizando os animais silvestres como fonte de alimento, foi expulso de suas terras com promessas vazias para dar lugar ao deserto verde.
Até as abelhas estão sumindo. A indignação sobe a nível altíssimo quando se lê o artigo de Nagib Nassar, Professor titular de genética da UNB, enviado ao jornal da ciência, intitulado “TRANSGÊNICO BT o caminho para a catástrofe”.
“Estamos destruindo o nosso meio ambiente e ecossistemas andando cegos a uma catástrofe que não tem fim, ao ceder a pressão das transnacionais produtoras de transgênicos BT”. Se não tomarmos consciência do que está acontecendo com a nossa mata e o nosso ecossistema, desmatando o nativo para o plantio do eucalipto e esse ainda transgênicos, a maioria das espécies animais, vegetais, insetos e seus predadores e até mesmo o homem desaparecerão em curtíssimo prazo, virando tão-somente em um deserto verde como já se vê nos países da Austrália, Noruega, etc.
“Onde está o caçador, se não tem mais caça.
Onde está a caça se não tem mais mato para morarem e criar seus filhotes, com comida, água em abundancia. Onde está o mato com comida água e todo o ecossistema e biodiversidade se neste lugar há somente eucalipto e a maioria, “transgênico” com a única finalidade “LUCROS” e quem destruiu sumiu e nem se quer se preocupou como meio ambiente e a camada de OZÔNIO que tanto nos preocupa para a vida de todos os seres”.
O eucalipto é um dos responsáveis pela destruição da camada de ozônio, pois a toxina liberada por esse vegetal é altamente prejudicial ao meio ambiente que até as abelhas estão desaparecendo, “morrendo”.
O nosso município deve fazer parte da nação do século XXI, lugar para se viver bem e criar nossos filhos com dignidade.
Não plantem transgênicos.
Não plantem eucalipto.
Plantem alimentos e deixemos que a natureza se incumba de produzir os frutos da própria floresta regional.
Se continuarmos plantando eucalipto e pensando somente em lucros, teremos em curto prazo um deserto verde, empobrecimento das famílias e muita miséria. Os lucros serão transferidos para as transnacionais que são a dona do negócio. E a natureza será destruída.

3 CONSIDERAÇOES FINAIS

Para concluir este trabalho sobre eucalipto e seu impacto ambiental, sentimos a necessidade de sermos objetivos e direto no que diz respeito ao meio ambiente que está sendo gradativamente destruído com as desculpas de que é preciso plantar árvores para usufruí-la.
Não podemos destruir a natureza sem que tenhamos uns projetos adequados, respeitando as normas legais de cada setor e cada ser.
Todos têm direita a vida, inclusive as ervas daninhas e insetos considerados pragas, pois estes fazem parte do nosso ecossistema.
O plantio do eucalipto afeta também diretamente a produção de alimento no país, pois ocupa extensas áreas de terra que poderia ser usada, por exemplo, para a reforma agrária, principalmente as terras devolutas dos estados Brasileiros que estão sendo utilizados por empresas grileiras, ao invés de cumprir uma função Social.
No entanto o volume de investimento para o plantio de eucalipto exportação de celulose e produção de carvão vegetal é muito maior do que aqueles destinados para a agricultura familiar e reforma agrária.

4 REFERENCIAIS

ACAPREMA: Associação Catarinense de Preservação da Natureza.

ALMEIDA, 1976.

BARBOSA, Bruno. Chefe do Ibama de Rio do Sul, SC., na data de 14 fev.2007.

DAVIDSON, 1985.

FANT, Di Luciano CPT-M.G.

LIMA, 1990.

PEREIRA, 2006.

POGGIANI, 1996.

POORE; FRIES, 1985.

REVISTA do BNDS, Rio de Janeiro, p.243, Dezembro, 2007.

REVISTA do BNDS, Rio de Janeiro, v. 14, n.28, p. 235-279.

www.nacoadosol.com.br – Manhuaçu Notícia

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2 Comentários

  1. Gil 6 de setembro de 2016 em 14:38

    Puxa, foi buscar bibliografia lá na década de 80 pra tentar convencer. Essa matéria é tendenciosa e exclui muitos benefícios do eucalipto. Se não houvesse eucalipto o pouco do cerrado e da mata atlântica que ainda existem já teriam sumido. Vale lembrar que nada foi mencionado a respeito da esmagadora área de pastagens degradadas e das demais monoculturas ainda maiores e mais prejudiciais que existem no Brasil.

    • Marta Aguiar 8 de setembro de 2016 em 18:32

      Como pode ter visto, a matéria não é minha, mas concordo que o Eucalipto é um dos grandes vilões da história.
      Precisamos rever nosso conceito e deixar de lado a ganancia por dinheiro para que tenhamos futuro. A água do
      planeta está acabando e precisamos fazer alguma coisa antes que seja tarde demais.

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